Olhe pra mim,
tente me ver como você,
sou gente, tenho alma e sentimentos,
não finja que não me vê...
Olhe pra mim,
não sinta vergonha de falar comigo,
não me isole neste mundo,
também preciso de amigo...
Olhe pra mim,
não ignore minha presença,
eu sei não somos iguais,
também sei respeitar a diferença...



Olhe pra mim,
não me deixe sentir diminuído,
eu nasci assim,
sem pedir pra ter nascido...
Olhe pra mim,
seja você o primeiro,
a tratar-me com respeito,
com amor, sem preconceito...
Olhe pra mim,
de igual pra igual,
veja-me simplesmente como gente,
não apenas um homossexual...



Olhe pra mim,
estou cansado de pedir,
que o mundo me olhe, me aceite,
e pare de me excluir...
Olhe pra mim,
alguém precisa me ajudar,
também tenho braços pra abraçar,
e um coração que sabe amar...
Olhe pra mim,
e se pode assim me ver,
grite ao mundo que eu existo,
que também mereço e preciso viver...

(Célia Jardim)

http://cantinhopoeticoceliajardim.vilabol.uol.com.br

Célia Jardim no Recanto das Letras

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